Por Nathan Fernandes, Jornalista.
A antropóloga Bia Labate e o psicólogo Fernando Beserra não acreditam na construção de uma ciência psicodélica sem relação com a comunidade. Para a diretora executiva do Instituto Chacruna, é preciso avançar a perspectiva das questões sociais dentro dos debates médicos sobre psicodélicos. A falta desse ponto de vista é a responsável, entre outras coisas, por reduzir conceitos como “setting” à ideia de um cenário/ambiente confortável. “O setting não é uma coisa que você prepara. Ele é parte da cultura, parte desse arcabouço maior, fundante, estrutural, são as nossas concepções, as nossas visões ontológicas sobre o que são essas substâncias”, aponta.
Chamando atenção para a atual situação política do país, Beserra, que é co-fundador e integrante do conselho diretor da Associação Psicodélica do Brasil, reflete sobre a importância de se discutir as bases de um cenário pós-proibicionista, que não seja marcado pelo interesse da indústria, mas pelo amplo acesso das populações mais vulnerabilizadas. “O momento de discutir isso é agora”, acredita.
As falas fizeram parte da segunda edição dos “Encontros Psicodélicos: Conversas interdisciplinares sobre ayahuasca e outros psicoativos", cooperação mensal entre o portal Ciência Psicodélica (CP); o projeto Healing Encounters, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), em Paris; e o Grupo de Pesquisa ICARO (Cooperação Interdisciplinar para Pesquisa e Divulgação da Ayahuasca), da Unicamp; com apoio do Instituto Chacruna.
A edição sobre “Militância Psicodélica” contou ainda com apresentação da bióloga Flávia Boos e mediação do psicólogo Bruno Ramos Gomes, que reforçou a ideia de como os psicodélicos são atravessados por questões políticas e sociais.
Assista o evento na íntegra:
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